A exposição Reflexos Urbanos, que aconteceu de 31 de janeiro a 28 de março de 2026, foi, pra mim, mais do que uma mostra, foi a materialização de um pensamento que venho construindo há anos, entre a rua, o ateliê e os territórios onde a arte realmente acontece.
Realizada na Pinacoteca de São Bernardo, com curadoria de Baixo Ribeiro e produção da Paradoxa Cultural, o projeto nasceu com um compromisso claro: não ser apenas contemplativo, mas ativo. Não só apresentar obras, mas criar relações.
O que me interessava ali era justamente a complexidade. Como trazer a minha pesquisa, que atravessa memória, cidade, imagem e matéria, para dentro de um espaço institucional sem perder sua força de origem? A resposta veio na forma de um projeto expandido.
A exposição reuniu trabalhos inéditos e também obras que ajudam a entender a diversidade do meu percurso. Ao mesmo tempo, abriu espaço para algo vivo acontecer dentro dela: um mural coletivo sendo construído com o público, diariamente, como extensão direta desse pensamento.
Paralelamente, estruturamos um projeto educativo robusto, que não ficou restrito às paredes da Pinacoteca. Levamos oficinas para os territórios, nos conectamos com o Projeto Jardim Limpão e o PMMR (Meninos e Meninas de Rua), recebemos esses grupos dentro da exposição, criamos trocas reais. Também realizamos workshops com professores, pensando a arte como ferramenta de formação e continuidade.
Um ponto muito importante foi a colaboração com artistas locais, que estiveram presentes na mediação, nas oficinas e nos workshops. Isso fortaleceu o projeto de dentro pra fora, criando uma construção coletiva, situada e conectada com quem já atua e produz na região.
Outro eixo central foi a acessibilidade, não como complemento, mas como estrutura. Pensar quem acessa, como acessa e de que forma se sente pertencente a esse espaço. Mais do que atender uma demanda, conseguimos implementar ações que deixam um legado real para a Pinacoteca, ampliando possibilidades de acesso e criando um precedente importante para os próximos projetos do espaço.
No fim, Reflexos Urbanos se tornou um organismo. Um projeto que articula obra, educação, território e público de forma integrada. Uma exposição que não se encerra nela mesma, mas que deixa rastro.
Acredito que ações como essa ajudam a afirmar algo que é urgente. O ABC paulista, e especialmente São Bernardo, tem potência, tem produção, tem pensamento nas artes visuais. Falta, muitas vezes, criar as condições e as conexões. E esse projeto foi justamente sobre isso.
Pra mim, fica a sensação de ter construído algo que representa com fidelidade não só a minha pesquisa, mas a minha atitude diante da arte. Uma prática que não se separa do mundo, mas que atua diretamente nele.